A Resolução nº 003/2000 publicada pelo Conselho Federal de Psicologia regulamenta o atendimento psicoterápico por meio do computador, porém somente para fins de pesquisas, seguindo-se as recomendações de sigilo à identidade do participante, como estabelecido no Código de Ética Profissional do Psicólogo.
"Atendimentos psicológicos visam, além do conteúdo a ser trabalhado, o contato humano pessoal, os comportamentos, as falas conexas ou não, os olhares, os gestos, a respiração, os comportamentos e reações, que também são características terapêuticas primordiais e, se feito através de vias informatizadas, essas qualidades se perdem e não são observadas", diz a psicóloga Thaline Quatrini Correa.
Para a especialista, a psicologia, assim como outras profissões também foi afetada com as características do mundo pós-moderno, com seus problemas contemporâneos, como estresse, depressões, angústias, compulsões por compra, por comida, e principalmente um grande vazio, no qual se tenta preencher com produtos e objetos, ou seja, consumindo os espaços que deveriam ser preenchidos por contato humano, carinho, atenção e compreensão.
"A psicologia se adequou a trabalhar neste perfil socioeconômico e cultural, com práticas atuais que privilegiam o tempo e o dinamismo nas relações. Entretanto, existem características que a sociedade impõe como importantes, tais como comodidade e facilidade em "acessar" o terapeuta, e a psicologia não poderia deixar de considerá-las. Pensar eticamente em terapia via internet faz-se necessário, contudo, é preciso considerar modificações dos paradigmas até então utilizados, obter e criar novas formas de percepção e atuação", conclui Thaline.